Não somos um universo á parte, mas somos um Universo particular. Então, funcionamos exactamente como as outras partes do Universo, ou seja, numa constante relação e interacção do visível e do invisível
O que na leitura corporal chamamos de visível? O corpo
E de invisível? A mente.
Vamos construir a ponte entre a mente e o corpo e como o invisível pode mudar e impactar no formato do corpo, no visível; e, como o visível, o corpo, pode moldar e impactar no invisível, a sua mente.
Para isso, precisamos de falar de alguns termos como: Neurónios, Sinapse, Mielinização, Rede Neural e Poda Neural
Começamos com o Neurónio, que é um corpo celular que consegue “conversar” com outros corpos celulares – que tanto podem ser neurónios como podem ser células musculares, endócrinas, hormonais e diversos outros tipos de células.
Porquê? O que é o neurónio faz? O neurónio leva uma informação para que aquele outro corpo celular tenha uma acção.
E como ele faz isso? Através de uma energia eléctrica, através de uma sinapse eléctrica.
Então, os neurónios conversam entre si através das sinapses eléctricas. Vão passando as informações até que chegam ao seu destino (outro corpo celular) onde vão transmitir a informação pretendida.
Por exemplo, para contrair um musculo, a informação vai ter que chegar num corpo celular muscular e “mandar” contrair.
Já viste a construção de uma casa? Em obra, podemos ver um conjunto de fios eléctricos que passam por todo o lado, de forma a que a energia chegue aos lugares pretendidos da casa.
No nosso corpo é da mesma forma. Cada neurónio vai-se juntar com outro e com outro neurório, formando a rede neural, uma rede de comunicação eléctrica – o sistema electrico do nosso corpo.
Nascemos com aproximadamente entre, 76 a 86 bilhões de neurórios.
O recém nascido cria até 1000 sinapses por segundo, ou seja, ele faz 1000 conexões entre os neurórios, com outros corpos celulares para distribuir e a aprender novas informações.
Porquê? Porque o bebe (por uma questão de sobrevivência) precisa de aprender o que é, e como tudo o seu mundo funciona, para ele saiba interagir com o seu meio ambiente.
Quando o bebe nasce, ele já tem todos os neurórios no corpo, mas ele ainda não tem todas as comunicações entre eles, falta a baínha de mielina.
Esta capa de mielina serve para aumentar a eficiência do envio do sinal electrico dentro do nosso corpo. É como se fosse a capa de borracha de um fio de cobre que usas na tua casa. Com esta capa, dissipa-se e desperdiça-se menos energia, orientando a energia para onde ela é necessária. No nosso corpo é a mesma coisa. É a mesma inteligência.
Esta capa de mielina tem um papel super importante na leitura corporal, porque ela vai-nos dar a formação, o trajecto de construção dos traços de personalidade. Os 5 traços de personalidade acompanham o processo de mielinização. Na imagem, tu vês 5 cores diferentes que estão associadas á construção dos 5 traços de caracter e ao seu processo cronológico.
Conforme a mielinização vai acontecendo, permite que toda a região do corpo onde ela acontece ganhe um novo controlo e uma nova sensação, e assim, o bebe vai ganhando um novo controlo motor, novas sensações nas diferentes partes do corpo, e recebendo novas informações sobre o meio ambiente para que ele possa aprender como interagir com esse meio ambiente,
Então, são 2 caminhos, o de aprender e o de controlar.
Porque é que é importante entender a mielização da nossa coluna?
Porque quando o bebe nasce, as pernas já existem, o corpo já existe, mas ele não tem o controlo do movimento, nem a sensação. Isso só acontece á medida que o processo de mielinização dos 76 bilhões de neurónios acontece.
E, cada traço de personalidade mostra-nos em que momento do processo a criança está a viver a dor, o recurso, o formato e tudo o que envolve determinado traço de caracter.
Depois temos a poda neural. Imagina a criança que criou 1000 sinapses por segundo em 76 bilhões de neurórinos, ela tem muita informação dentro dela, não te torna eficiente usar todos os caminhos. E se não é eficiente, o cérebro vai realizar a poda neural, que descarta as sinapses que não são utilizadas para ficarem só as principais, as que a criança precisa para sobreviver no seu mundo.
Por exemplo, quando vais caminhar no meio do mato, e percorres aquele caminho apenas uma vez, precisas de afastar as ervas, ou seja, precisas de abrir o caminho. Se mais ninguém passar por ali, as ervas vão continuar a crescer e vão voltar a tapar o caminho. Agora, se passamos todos os dias, várias vezes, mesmo que querias que nasçam ervas ali, não vão nascer, porque aquele caminho está constantemente a ser usado e aberto novamente. A mesma coisa acontece dentro do nosso corpo.
Aqueles caminhos que foram criados e repetidos várias vezes, eles vão continuar vivos. Aqueles caminhos que foram usados de vez em quando e que não tem muito peso para a nossa sobrevivência, não são eficientes, e por isso, o nosso sistema vai retirá-los, neste momento da poda neural.
Isto é absolutamente importante para entender como as pessoas funcionam. A poda explica quais os caminhos que nós eliminamos e quais os caminhos que ficaram.
Por isso funcionamos de formas diferentes, o meu sistema aproveita caminhos que o teu sistema podou, e vice versa.
A mielinização de cada traço de caracter fixa os caminhos que trilhamos com mais frequência, caminhos que para cada um de nós parecem mais seguros. Para sobreviver, aproveitando a energia que temos no corpo, o cérebro vai eliminar o caminho que parece ser menos seguro e eficaz em termos de sobrevivência.
Nada disto acontece de forma aleatória.
O nosso corpo é tão inteligente que ele vai colocar a capa de mielina no caminho mais utilizado para que possa ser fixado e fique cada vez mais eficiente.
Isto molda tanto a mente (na forma de pensar e ver o mundo) quanto o corpo fazendo-nos agir e reagir, criando a nossa história da forma que ela se desenrolou. É esta combinação que fazemos na leitura corporal.
O neurónio não cria uma ramificação sem necessidade. É um elemento externo – a interacção do meio com a criança – que vai activar o lado emocional da nossa vida é que vai dizer como cada um de nós deve desenvolver-se para sobreviver naquele mundo onde a criança está inserida.
Então, o teu sistema desenvolve-se, elimina algumas partes para a qual ele não reconhece necessidade de mandar energia, fortalecendo as partes que ele reconhece necessárias para a sobrevivência.
Resumindo… O nosso corpo é muito inteligente. Nascemos num mundo sobre o qual não sabemos nada, aprendemos muito rápido com um número de sinapses gigante e com a milenização que vai fixar essa aprendizagem. No final da primeira infância, o sistema deita fora os caminhos que usamos pouco e que por isso, ele reconhece não sendo necessários.
E assim, seguimos na vida repetindo os mesmos caminhos, os mesmos padrões de pensamento, de emoção e acção que outrora o nosso sistema considerou como seguros.
Cada um destes caminhos que aprendemos para lidar com o nosso mundo trazem dores e recursos. E quando actuas nos teus recursos, tu mudas.
Conhecer os teus traços de caracter é saberes quem tu és, como percebes os outros e o mundo.
É respeitar a tua forma natural de ser e de funcionar.
É o conhecimento que te permite dizer os “Nãos” que queres dizer, com a segurança necessária para o fazer.
É o conhecimento que te faz parar de buscar culpados e olhar para quem realmente importa.
É entender os “porquês” de suportar algumas coisas, e o clarear de situações.
É sentires-te confortável em afastar da tua convivência quem de facto não contribui para o teu crescimento. Quem discordar que se retire. Quem ficar, que te respeite.
Porque tu, és exactamente quem precisas de ser!
