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Copo meio Cheio!

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Há exactamente um ano, por intermédio de um amigo comum, conheci a Telma, que se dispôs a ensinar-me uma estrutura de meditação activa, a Kundalini.

Venho de um cenário de já vários anos de dor crónica e andava (e ando) à procura de ferramentas para enfrentar esta questão por meio do trabalho corporal e emocional, uma vez que a medicina ocidental parecia ter esgotado aquilo que tinha para me oferecer de útil.

Durante seis meses, pratiquei regularmente esta meditação e fiquei bastante espantado com os resultados. Não só a prática me permitiu reduzir a intensidade da dor, num plano global, como comecei a sentir mais vitalidade físicamais centramento emocionaluma maior capacidade de atingir estados meditativos mais profundos na prática da meditação passiva e menos tendência para pensamentos negativos, obsessivos e depressivos, quase como se a Kundalini me ajudasse a fazer um reset mental.

Escusado será dizer que, a nível psicológico, estava já a viver num espaço muito negro há muito tempo. Quando soube da meditação activa, já andava a explorar outras áreas de desenvolvimento pessoal e práticas relacionadas com meditação passiva, por isso, foi com surpresa que descobri que existia um tipo de meditação que incluía movimento, através do qual comecei a desconstruir alguns preconceitos sobre a meditação, como, por exemplo, que meditação implica estar parado e que o corpo não tem voto no processo.

Depois de seis meses de prática da Kundalini, com a qual eu julgava já ter alcançado muito, soube que a Telma estava a iniciar um curso online de nível 1 de meditação activa e pareceu-me o passo natural dar continuidade a esta viagem de autoconhecimento. A experiência foi profundamente gratificante, não só pela orientação impecável e disponibilidade da Telma, como pela possibilidade de partilhar a experiência diária da meditação e a transformação emocional com outras pessoas, cada uma no seu barco, a enfrentar os seus desafios, mas, no fundo, todos na mesma viagem. Criei amizades e, quem sabe, parceiros para o futuro.

Ao iniciar o curso, apesar da experiência da Kundalini, não tinha pensado realmente com seriedade no que é isto do corpo, em como pode o corpo ajudar-me a curar-me quando, nos últimos anos, o corpo tem sido o «inimigo»?

Desde criança que sou profundamente cerebral e
, no meu crescimento, sempre vi o corpo como uma entidade separada de mim, até inferior à mente, e, quando me começou a causar dor, tentei tratá-lo sob essa perspectiva, como entidade separada e individual. Daí o meu fracasso.

Através do trabalho corporal que iniciei neste curso, comecei a chegar a conteúdos emocionais e padrões de pensamento a que ainda não tinha chegado através da meditação passiva, alguns relacionados com a infância, outros com ideias pré-concebidas que eu próprio cimentei sobre a minha auto-imagem ao longo do crescimento e também com o trauma dos últimos anos de ter de viver com dor crónica. Tinha atingido um ponto em que a dor se tornara absoluta na minha vida, como se tivesse deixado de haver outros espaços dentro de mim que não fossem dor.

A meditação activa tem-me vindo a permitir recuperar muitos desses espaços que eu esquecera, julgara perdidos e, até, descobrir espaços novos que, aos poucos, me têm ajudado a compreender que a imagem que eu tenho de mim mesmo não é estanque, mas antes uma construção que se tem edificado ao longo da vida.

No final do curso, a Telma propôs a quem quisesse avançar para o Nível 2. Pensei: «Se isto do Nível 1 foi bom, o Nível 2 será ainda melhor». Hm… mais ou menos. Trilhar este caminho do autoconhecimento significa começar no sopé, onde a relva é verde e as borboletas esvoaçam, e avançar rumo ao topo da montanha, onde as encostas são mais escarpadas, os ventos mais fustigantes e o pico coberto de nuvens escuras é mais uma ilusão criada por nós do que uma realidade. Avançar significa aceitar ultrapassar obstáculos mais duros, bater de frente em muros que parecem intransponíveis e abrir o coração ao sofrimento, ao nosso sofrimento individual, sem o varrer para debaixo do tapete, como se não existisse ou, pior ainda, não fosse válido.

Tornei-me mais complacente comigo próprio, menos castigador, mais compreensivo… E depois há dias difíceis, em que nos apetece voltar ao ponto onde estávamos antes de começar, porque é mais fácil ficar no conhecido, porque a dormência das emoções é também um colo mais agradável.

Tem sido uma viagem fácil? Não, sem dúvida. E daí? Se fosse fácil, não aprenderia nada. Com a meditação activa, esforço-me por fazer um trabalho diário sem me castigar e, volta e meia, lá descubro mais partes de mim.

Se estou milagrosamente curado dos problemas que me afligem? Não, de forma alguma, mas estou melhor e, mais do que estar melhor a nível físico, estou num patamar completamente diferente a nível psicológico e emocional, mais capaz de lidar com esta contrariedade que, nos últimos anos, se tornara na totalidade da minha vida.

É um trabalho de todos os dias, com muitos altos, muitos baixos, muitas sacudidelas, muitos momentos de felicidade, muitos momentos de puxar cabelos de frustração. Por vezes, poderão até julgar que vão enlouquecer. Se isso vos acontecer, tal como acontece comigo, é porque devem estar mesmo a precisar de enlouquecer para encontrar um semblante de paz.

No final de contas, os desafios que escolhi enfrentar através da meditação activa são os meus desafios, a minha experiência é a minha, porque eu sou eu, tu és tu, pelo que não deves contar com o meu percurso para definir o teu.

Convido-te a dar o primeiro passo na tua descoberta.

Filipe Casal Ribeiro

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