O medo pode ser desconfortável e paralisante. Mas eliminá-lo seria o equivalente a desligar o sistema de alarme de sua casa, porque às vezes ele emite sons altos e irritantes.
Ser destemido não significa eliminar o medo. Significa saber como alavancar o medo. E para isso, tu precisas de saber algumas coisas sobre o que está implícito no Medo.
- O medo é saudável.
O medo é a emoção que te conecta, que deixa atento, alerta com o que acontece á tua volta. Serve para te proteger de possíveis perigos.
Está programado no teu cérebro, por um bom motivo, e acontece através de redes reunais distintas que vão das profundezas do sistema límbico até o córtex pré-frontal e vice-versa. Quando essas redes são estimuladas elétrica ou quimicamente, elas produzem medo, mesmo na ausência de um estímulo de medo. Sentir medo não é anormal nem sinal de fraqueza: a capacidade de ter medo faz parte do funcionamento normal do cérebro. Na verdade, a falta de medo pode ser um sinal de dano cerebral grave.
- O medo vem em muitos tons.
O medo é uma experiência que te pode ser desagradável e que pode variar de leve a paralisante – desde antecipar os resultados de um exame médico até ouvir notícias de um ataque terrorista mortal. Eventos horríveis podem deixar uma marca permanente nos circuitos do teu cérebro, o que pode exigir ajuda profissional.
No entanto, o stress, a ansiedade, as preocupações constantes e insegurança diária– cuja emoção básica é o medo, podem, silenciosa, mas seriamente, prejudicar sua saúde física e mental.
- 3. O medo é parte instinto, parte aprendido e parte ensinado.
Os medos instintivos são aqueles que acionas cada vez que a sobrevivência do teu sistema está em causa.
Os medos aprendidos são despoletados quando a memória de uma experiência negativa anterior aparece. Por exemplo, um incidente de quase afogamento, pode causar medo cada vez que tu te aproximas de um corpo d’água – piscina, lago ou mar. A situação não está a acontecer, mas a aproximação de um lugar cuja memória é traumática aciona o sistema de defesa, o medo.
Os medos ensinados são ditados pelas normas culturais que geralmente ditam o que deve ser temido ou não. Pense, por exemplo, em como certos grupos sociais são temidos e perseguidos por causa da impressão criada pela sociedade de que são perigosos.
- Não precisas de estar num perigo real para ter medo.
Na verdade, como o teu cérebro é tão eficiente, ele aprende a temer uma série de estímulos que não são assustadores ou que nem mesmo estão presentes. Ficas assustado com o que tu imaginas que poderia acontecer. Esta é a base da ansiedade crónica que pode ser muito debilitante.
- Quanto mais medo sentes, mais as coisas parecem assustadoras.
Por meio de um processo denominado potencialização , a tua resposta ao medo é amplificada se já estiveres num estado de medo.
Quando estás preparado para o medo, até eventos inofensivos parecem assustadores.
Se estiveres a assistir a um documentário sobre aranhas venenosas, uma coceira no pescoço causada por, digamos, um fio solto na tua camisola vai assustar-te e fazer-te saltar de medo.
Se tu tens medo de voar, mesmo a mais leve turbulência vai bater a tua pressão arterial no teto do avião.
Quanto mais preocupado estiveres com a segurança no teu emprego, mais vais suar quando o chefe te chamar, mesmo para uma reunião sem intercorrências.
São vários exemplos no nosso dia a dia que facilmente entram em espiral.
- O medo dita as tuas ações.
As ações motivadas pelo medo enquadram-se em quatro tipos – congelar, lutar, fugir
Congelar significa que páras o que estás a fazer e te concentras no estímulo do medo para decidir o que fazer a seguir.
Por exemplo, hoje foste informado que a tua empresa irá demitir pessoas. Em seguida, escolhes lutar ou fugir, ou seja, decides se vais lidar com a ameaça diretamente (dizes ao teu chefe porque é que não deverias ser despedido) ou contorná-la (começas a procurar outro emprego).
Quando o medo é opressor, sentes o medo mas não tens reacção, congelas. Não lutas nem foges; na verdade, não fazes nada – podes “ruminar” e reclamar, mas não fazes nada para mudar a situação.
Estar continuamente no modo de susto pode levar à desesperança e depressão .
- Quanto mais real a ameaça, mais heróicas serão as tuas ações.
Cada um reage de maneira diferente ás ameaças reais e imaginárias.
Ameaças imaginadas causam paralisia. Ter medo de todas as coisas ruins que podem ou não acontecer no futuro faz com que te preocupes muito, mas tenhas pouca ou nenhuma ação. Ficas preso num estado de medo, oprimido, sem saber o que fazer – paralisado.
As ameaças reais, por outro lado, causam uma espécie de frenesi.
Quando a ameaça é iminente e identificável, na maioria das vezes entras em acção imediatamente e sem oscilar.
É por isso que as pessoas têm muito mais probabilidade de mudar seus hábitos alimentares depois de um sério susto de saúde (por exemplo, um ataque cardíaco) do que depois de apenas ler estatísticas sobre os efeitos nocivos de uma dieta baseada em alimentos fritos.
O medo pode ser tanto um aliado quanto um inimigo.
O medo do medo pode mantê-lo preso numa gaiola de insegurança. Como é que superas isso?
Aprendendo a alavancá-lo.
